cerejeiro
Na delicadeza das palavras procurei escrever sua presença e descrever o quanto é fascinante pensar você. Entenda que minhas mãos livres, que agora se dedicam à escolha das palavras certas, gostariam de estar presas às suas para te prensar: te segurar: e não te deixar voar. E que meus lábios secos, que agora se dedicam ao deserto silêncio da imaginação, gostariam de molhar os seus e desaguar no seu mundo até você florescer e germinar e brotar no jardim da minha poesia, como as lírios peruanos: suas flores preferidas: que sobrevivem muito bem sozinhas, certo, mas vivem muito mais quando têm alguém para alegrar suas dores ou admirar a beleza de suas cores. Entenda também que quando não ouvi sua voz: escrevi o timbre doce e delicado do som das suas palavras. Quando não te vi: descrevi toda a grandeza e a escuridão que habitam na profundeza lírica dos seus olhos: grandes e quase negros. E quando não consegui te tocar ou alcançar a maciez da sua pele: improvisei literalmente a textura da sua derme: tão branca: tão macia: e pude tatuar palavras que eu não sabia que existiam: e pude tatear tua alma como quem acaricia estrelas no céu, sem saber que elas também brilham e se espalham no chão: sem saber que elas brilham e se espelham em você para iluminar o mundo: o meu mundo.
Eu me chamo Antônio. (via cerejeiro)